Uma boa comunicação entre pacientes e médicos pode contribuir muito para um acompanhamento adequado da saúde e dos desfechos dos tratamentos, elevando a qualidade de vida dos pacientes e eficácia do cuidado.

Com a evolução da saúde digital e a popularização do uso de softwares médicos e outras soluções digitais no relacionamento, estudos têm evidenciado uma melhora na forma como a saúde é monitorada, promovendo uma maior abertura para discussão de diagnósticos e tratamentos durante consultas. 

Como um software médico impacta a relação médico-paciente? 

Em comparação com médicos que não fazem uso de aplicativos do tipo, aqueles que os usam têm apresentado um maior envolvimento na tomada de decisão compartilhada e no acompanhamento do curso das doenças ao longo do tempo.

Os aplicativos e softwares médicos atuam como facilitadores de uma maior participação dos pacientes no segmento de saúde, aproximando médicos e pacientes

Com o tempo, as mensagens interativas se tornam mais personalizadas; e os lembretes, orientações e informações passam a ser mais efetivos e motivadores. Tal cenário traz um benefício para ambas as partes.

Os desafios e as vantagens da implementação do digital no contexto da saúde

A implementação de aplicativos e outras ferramentas de telessaúde focados nos dados reportados pelos pacientes – PROs (Patient Reported Outcome, em inglês) – demanda um período de adaptação para profissionais de saúde e seus pacientes. 

Com a evolução, no entanto, as vantagens são perceptíveis para os dois lados. As informações coletadas preenchem uma lacuna sobre o estado de saúde entre as consultas, fornecendo maior documentação da gravidade da doença, eficácia do tratamento e qualidade de vida do paciente.

Os softwares médicos e soluções digitais de automonitorização também ajudam a capturar as flutuações de sintomas com maior precisão. Com um registro mais preciso e completo ao longo do tempo, os pacientes ficam mais ativos, confiantes na comunicação com os profissionais de saúde. Esses dados são vistos como um um ponto de partida para as consultas e decisões.

Isso eleva a expectativa para que os profissionais sejam receptivos, reconheçam e usem os dados na avaliação e no atendimento humanizado. O compartilhamento dos dados durante a consulta leva a uma economia de tempo na coleta de informações e permite que os profissionais dediquem o tempo focando nas preocupações dos pacientes, gerando uma avaliação mais precisa e baseada na experiência real do paciente ao longo do tempo.

O automonitoramento do paciente deve ser combinado com a definição e revisão das metas de cuidados com a saúde em conjunto com os profissionais de saúde. A literatura científica indica que revisar os dados com os pacientes é rápido, fácil e pode apoiar discussões mais eficientes. Esse processo é incrementado quando os profissionais de saúde são orientados sobre as formas de analisar e usar as informações durante as consultas, aliviando as preocupações sobre o uso de apps e soluções digitais, além de incentivar o automonitoramento de forma mais eficaz.

Como promover o uso de soluções digitais de forma mais eficiente?

Devemos levar em consideração que os pacientes podem ter atitudes diferentes quanto aos cuidados de sua saúde e tratamentos, bem como o uso de ferramentas digitais. Estruturar este segmento e orientar os pacientes e profissionais de saúde integrando os processos de atendimento é ponto relevante para uma maior efetividade nessa abordagem.

Essa forma de comunicação promove o cuidado centrado no paciente, impactando como interagem com os profissionais de saúde e reforçando seus vínculos. Isso os capacita a se envolverem mais em seus próprios cuidados e na tomada de decisão compartilhada.

Os apps e plataformas podem ainda facilitar a incorporação de outras tecnologias de monitorização. Por fim, agrega-se uma maior entrega de valor ao fomentar a prevenção, eficácia e bem-estar no acompanhamento de saúde.

Se você deseja aprofundar os seus conhecimentos sobre o uso de softwares médicos e outras soluções digitais no contexto da saúde, a seguir estão alguns artigos úteis para a leitura. Eles também foram utilizados como referência para a criação deste artigo. 

Arevian et al. 2020. Disponível em: https://mhealth.jmir.org/2020/7/e12655/#ref10

Shaw et al. 2021. Disponível em: https://rmdopen.bmj.com/content/7/1/e001566.long#ref-12